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riscos_e_rabiscos

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A Vingança Serve-se... no Prato!

 

 

 

Vocês, gaijas, preocupadas com a linha, com a saúde e o bem-estar, resolvem implementar um regime alimentar saudável e frugal nos vossos lares. Até porque o orçamento familiar começa a deixar de poder contemplar tratamentos de beleza e ao corpinho. Então ataquemos pelo lado mais saudável: pela boca.

 

À mesa só vão os cozidos e grelhados, as saladas, os legumes e a fruta como sobremesa. Aboliram as tentações, as bombas calóricas e os fritos. Isto é comida do século passado!

 

Nos primeiros tempos, a coisa é bem acolhida e o vosso gaijo até gosta muito da ideia. Depois começam os comentários “ah… hoje até comia uma arroz de tomate com um peixinho frito!”. Vocês ficam de nariz torcido mas não comentam.

 

No dia seguinte, o gajo volta a suspirar “ai que bem que me sabia uma feijoadinha agora…”! Acesso de raiva número um!“Tenho tantas saudades das tuas favas com chouriço!” segreda-vos ele ao vosso ouvido, acompanhado de um beijo molhado e peganhoso. Acesso de raiva número dois!Por fim, chega a proposta indecente acompanhado de um belo ramo de flores: “olha lá, não queres fazer uma feijoada à transmontana para sábado? Eu até vou contigo às compras…” Acesso de raiva número três!

 

Ai não te agrada a comida, é? Estás armado em esquisitinho? Então não esperes pela demora…Pegam num bloco, num lápis e na vossa imaginação fértil e elaboram uma ementa para os próximos tempos. Amor com amor se paga!!!

Ora veja, lá…

 

EMENTA 

Segunda-feira

Almoço: Cozido à Portuguesa

Jantar: Grão com Carne 

Terça-feira

Almoço: Migas com Carne de Porco à Alentejana

Jantar: Pataniscas com Arroz de Feijão

Quarta-feira

Almoço: Feijoada à Transmontana

Jantar: Puré de Castanhas com Lombo de Cebolada

Quinta-feira

Almoço: Dobrada à Portuguesa

Jantar: Ervilhas com Chouriço e Ovos Escalfados 

Sexta-feira

Almoço: Rancho à Portuguesa

Jantar: Puré de Feijão com Salsichas Enroladas em Couve

Sábado

Almoço: Feijoada de Marisco

Jantar: Chispe com Feijão Branco

Domingo

Almoço: Favas com Chouriço

Jantar: Feijão com Bacalhau e Couve

 

 

A esta ementa leve e deliciosa, resta apenas acrescentar umas recomendações: usar mola no nariz e usos de tampões auriculares durante a semana. É que a poluição atmosférica e sonora caseira vai aumentar consideravelmente.

Este post é patrocinado por desodorizantes do ar e ambientadores Ai-k-cheirinho-a-cheirete (à venda em todos os supermercados VIP).

 

O Baptizado

 

Domingo foi dia de baptizado. Confesso que a minha paciência para este tipo de cerimónias anda cada vez mais reduzido. Mas… noblesse l’oblige. Principalmente quando é alguém de família chegada.

 

Fui de ressaca da rinite alérgica para o baptizado (lembram-se que no sábado estava muito mal?), equipada com todos os medicamentos possíveis para me defender contra novo ataque e com o meu nariz todo em “obras”, graças ao assoanço e aos lenços de papel.

 

Não estava com pachorra nenhuma para grandes preparativos: não me pintei como me apetecia, os pés continuam com as bolhas (ihihihi), e faltou-me um acessório para pendurar ao pescoço, o vulgo colar.

 

A R. – a minha priminha – portou-se bem e tirou fotografias lindas pois é muito fotogénica. Andava linda e toda vaidosa no seu vestido de princesa. Mas uma das partes melhores foi aquela em que ela se virou pra mim e me disse:

 

“a mãe tem as mamas à mostra”

Parti-me a rir, claro. A mãe tinha um vestido com um decote nada ousado mas ela saiu-se com esta com o ar mais sério do mundo.

 

Depois foi a vez da minha priminha B., que é mais mando que eu sei lá o quê! Efeito do mimo… lol!

Estávamos na missa e ele tinha que se distrair com alguma coisa. Deu-lhe as fomes e atacou um pacotinho de bolachas, andou a correr de um lado para o outro a cuscar tudo, e andou nas cantorias religiosas.

Ela apanhava tudo ali na hora e depois virava-se para a minha mãe, com ar autoritário, e dizia: “canta!”

O pai também virou-se pra ela a cantar e ela disse-lhe logo “cala-te, tu não sabes cantar…!” Isto lido pode parecer-vos que é má educação, mas não é. É a maneira dela de falar que uma pessoa se farta de rir porque ainda por cima é sopinha de massa.

 

A comida foi muito boa. Foi para compensar a comida do casamento dos pais que foi um catering do pior que pode haver ao cimo da terra. Ah, mas este catering só foi superado pela “excelente” comida do casamento do meu primo M. com a Enjoadinha. Memorável. Um marco histórico na família!

 

Ainda consegui estar um bocadinho com a minha afilhada que mora duas ruas acima do restaurante. Lá veio ela e as suas “vergonhas” quando é uma chalupinha endiabrada. Levou 300 mil beijos e toda a gente disse que ela era linda, pois tem uns olhos grandes com pestanas grandes, reviradas e tem uma boca muito bonita. Todos diziam que ela era linda.

 

O dia foi terminado com a bênção da chuva. Talvez para arrefecer o calor que se fazia sentir e refrescar as mentes. Ou então já era um prenúncio do balde de água que a selecção iria levar…

 

P.s. – Aguardem o próximo post sobre o baptizado do meu afilhado… lol!

Duplo Engano

Jantámos à hora de sempre, ou seja, tarde. O meu pai fugiu à regra, pois estava ver o futebol tal como a minha mãe que estava com uma das suas típicas má-disposições.

 

O jantar era coxas de frango estufadas acompanhadas de arroz. Prato que ela até confecciona bastante bem. Mas hoje detectei algo estranho. Fui tirando lasquinhas e mastigando. Mais lasquinhas e saboreando. A cor das coxas parecia-me diferente. Havia algo diferente.

 

Continuei a tirar mais lasquinhas e a comê-las, tentando adivinhar qual era aquele sabor diferente que o meu paladar estava a detectar. Mais umas mastigadelas… e, de repente, SHAZAM! Já sei! AS coxas sabem a… canela!!!

Pergunto ao meu irmão se não acha que as coxas estão diferentes. Ele responde que sim. E eu interpelo-o logo, perguntando-lhe ao que sabem… canela, responde ele! LOL!

 

Perguntámos à minha mãe se ele colocou canela nas coxas. Ela jura a pés juntos, muito indignada. Mas afinal o que puseste na coxas? Ela responde que nada de especial… só se for da cebola… ou do alho em pó!

 

Mas nem a cebola nem o alho em pó dão aquela cor ou sabor às coxas! Desconfiamos que ela se enganou e que em vez de colocar colorau, colocou canela mas não o confessou a ninguém. Tentou disfarçar mas não foi muito convincente. Ou será que está farta e quer livrar-se de nós, por isso anda a envenenar a comida?! Óptimo caso para o Sherlock Holmes.

 

Indignada!

 

Já todos sabem que eu gosto muito de ir tomar o meu (des)café pela manhã para ver se espevito os neurónios. É aquela ilusão de que ficamos mais dispertos e predispostos a trabalhar. O café até pode dar um choque de adrenalina mas o (des)café… é ilusão mesmo!!!

 

Sai de casa toda feliz e contente (?) em direcção ao café, ansiosa pelo precioso líquido castanho. Assim que chego à porta do café, levo logo com uma revoada de pombos em cima! ARGHHHH!

Vocês sabem que eu detesto pássaros, não sabem (apesar de não os poder ver doentes ou maltratados que morro do coração!)? Agora imaginem os efeitos de um esncontro destes logo pela manhã! Ia chocando com outras pessoas que vinham a sair do café e até me saiu um involuntário “porra para a porcaria dos pombos!!!”

 

Entrei e dirrigi-me ao balcão. Já é tradição. As brincadeiras do costume com os donos do café e aproveito para fazer queixas dos pombos, que não têm culpa de nada. Já explico porquê.

Bebi o meu (des)café, paguei e dirigi-me à porta. Passei-me! Chamei logo um dos donos do café! Então não é que agora há um velho e uma velha que andam a recolher o resto dos bolos que as pessoas deixam nos pratos para dar aos pombos?!?

Disse logo ao velhote “Oiça lá, não ponha isso aqui à porta que fica tudo um nojo (e fica!) e além disso vêm os pombos todos para a porta… Ponha isso afastado daqui!” O senhor J. também foi logo avisar que não queria aquilo ali.

Estão a ver o filme do Hitchcock intitulado “Os Pássaros!? Pois foi uma cena destas que eu vivi! Argh!

 

Indignação número dois: há um pitt bull lindo, branco e castanho, aqui no bairro de realojamento pertencente aos ciganos. Já há algum tempo que não o via. Hoje cruzei-me com ele e fiquei com o coração tamanho de uma ervilha. O cão está esquelético. Deve passar muita fome. Pensei logo que teria de fazer alguma coisa. Cheguei a casa e fui buscar uma caixinha com cereais do Bóbi para lhe dar.

Só vos digo que o cão é um amor e é mal empregado não ser estimado. Estive a dar-lhe cereais à mão e percebi que o cão é muito novo pois tem dentes de bebé… :/ O bichinho ficou tão contente e agradecido que se fartou de me dar beijinhos e pedir-me festinhas. Só me apeteceu trazê-lo para casa. Acabei por deixar a caixinha de cereais num cantinho e vir-me embora. O animal é muito meiguinho e brincalhão. É uma pena não ser tratado condignamente.

Que me aconselham a fazer? É uma pena este animal ser ensinado a ser mau para depois entrar em lutas de cães e ter um fim trágico. Aceito sugestões…

 

Delícias num Sábado à Noite

 

Perguntam vocês por onde andei ontem que ninguém me pôs o olho em cima, salvo seja! Pois, andei por aí. Já que estava sozinha, resolvi ir apanhar um bocadinho de sol na moleirinha.

 

Uma das minhas melhores amigas barra comadre fez anos. Segundo a sua versão, fez 26 anos… Parece-me é que ela já não sabe fazer contas e se esqueceu de somar mais uns anitos… O pior é que ela tem andado a espalhar esta conversa por toda a gente e… houve alguns que caíram! Bom… tenho de reconhecer que ela parece mesmo que tem 26 anos. Mas não tem! Também não vou revelar a sua verdadeira idade (fica descansada M.)

 

Fui ter com ela logo a seguir ao almoço. Havia jantar de aniversário nessa noite. Depois das sessões de beleza a que teve direito, fomos dar uma volta ao Oeirasparque. Coisas de gajas!

Estive um bocadinho com a minha afilhada que está o máximo! Mostrou mais algumas das suas gracinhas e esteve a brincar comigo ao “afugenta o monstro”. Tínhamos que cantar o “fantasminha brincalhão” para que a luva de cozinha que o avô tinha na mão, perdesse a “força”.

 

A hora de irmos para o restaurante aproximava-se e nós fomos aperaltarmo-nos todas. Maquilhagem para um lado, penteadelas para o outro e , por fim, uma nuvem de perfume por cima de nós! Que cheirosas! Escusado será dizer que a M. estava muito bonita e elegante. E ainda mais bonita ficou com o meu batom especial. Estava mesmo uma “gaja boa” (ela já é mas pronto!)!

 

Fomos jantar ao um rodízio de massas. Já tinham ouvido falar? Pois, eu também não. É um conceito muito interessante. Acontece o mesmo do que nos outros rodízios de carne ou peixe, ou seja, os empregados vão passando com os vários pratos que vão saindo: esparguete, lacinhos, gnochis, canelones, lasanhas, etc. Depois vem a parte das pizzas. Margueritas, com chouriço, primavera, etc. Por fim chega a parte das sobremesas. Sim, também em rodízio.

As sobremesas consistiam em – agora babem-se – pizzas doces!!! Pizza com chocolate (derretido), com banana e canela, com goiabada e queijo catupiri e ainda outra qualquer que eu já nem provei!

Resumindo: provado e aprovado!

 

Findo o jantar, metade da malta foi para casa uma vez que estavam acompanhadas com as suas crianças.

O resto do pessoal ficou a ponderar se valia a pena ou não ir para a “night”. Eu optei por não ir pois a noite anterior não tinha dormido nada, uma vez que a passei muito mal sempre a espirrar e com dores de garganta.  Nem dormi nada. Tinha umas olheiras muito bem disfarçadas com o anti olheiras.

Fiquei com muita mas muita pena mesmo. Mas não é nada que não possa ser compensado noutra noite! Espero que se tenham divertido!

 

Uma Garfada de Amor

 

 

Não sei se já vos disse mas o N. é um rapaz muito prendado, daqueles que sabe fazer comida, bricolage, arranjar máquinas e ainda mais algumas coisinhas. Só falta aprender a fazer tricot e crochet mas ainda não perdi a esperança…

Também já perceberam que eu gosto muito de o picar e fazer o que eu chamo “maldades de amor” (Ihihihih!).

 

Ora estava o homem dos sete ofícios à volta do fogão a fazer o nosso jantarinho, quando eu venho da sala e passo por trás dele. Todos sabem que quando estamos a escrever no computador ficamos com os dedos iguais a pedras de gelo. E eu tinha estado a comentar e a responder aos vossos comentários quando decido ir ajudar o N. com o jantar.

Mas não resisti. Desculpem mas não resisto a fazer umas traquinices.

Estava o senhor N. muito entretido de garfo na mão a mexer na comida quando eu o abraço por trás. É claro que isto tinha água no bico. Subrepticiamente enfiei um dedo congelado por baixo da camisola dele e encostei-lho à barriga.

Deviam ter visto o salto que ele deu! E a rapidez com que reagiu a querer espetar-me o garfo no rabo?! Ainda vi o caso mal parado… Fugi dali e tentei refugiar-me na casota do Pimentinha mas não cabia, como é óbvio.

 

Acabámos a rir-nos que nem uns malucos do cómico da situação. Eu já não me ria tanto há imenso tempo. Fez-me tão bem. Tenho que voltar a fazer das minhas. Mas a ver se desta vez ele não tem um garfo na mão, senão espeta-mo mesmo!

Depois lá fico eu com um andar novo! Quem me manda a mim meter-me com pessoas perigosas?!

 

O Pecado da Gula

 

Convidei a minha amiga S. para jantar lá em casa. Claro que o repasto tinha de ser de chorar por mais… e foi!

 

Não sabia o que havia de fazer mas eu e o N. tivemos a mesma ideia (ai, a sintonia é tanta!). E cada vez que o prato é este, temos sempre a companhia da S. para rasparmos o fundo ao tacho literalmente.

 

Ora um bom prato tem de ser acompanhado por um vinho excelente e por uma sobremesa de arromba. Mas desta vez não havia só uma sobremesa, havia três! Opa, já sei que somos uma cambada de gulosos mas é só de vez em quando. E é para manter o corpinho de lutadora de sumo…

 

 Como já devem ter adivinhado, fiz uma Paella para o nosso jantar. Acompanhámos com um vinho alentejano da Amareleja fabuloso que o N. foi buscar à sua garrafeira: Piteira. Alguém já provou? Só vos digo que é espantástico. Desliza que parece água e é muito saboroso. Ficámos fãs.

Não é para me gabar mas a paella estava excelente. Só lhe faltaram uns mexilhões que nem a cozinheira nem o ajudante se lembraram de comprar. Carreguei a paella de delícias do mar porque a S. gosta muito e eu também. Os camarões já não cabiam todos no tacho, por isso, coloquei ali aqueles que consegui e depois havia a “recarga”.

 

Acabada a parte salgada, iniciámos a parte dos doces. E agora aconselho a irem buscar um guardanapo ou um lenço de papel para se poderem babar à vontade.

A S. insistiu em trazer uma sobremesa, apesar dela saber que as minhas sobremesas  são óptimas. Mas devido ao adiantado da hora a que comecei fazer a sobremesa, não tinha a certeza de que ficaria pronta a tempo.

 

Então começámos pela primeira: Profiteroles com recheio de nata e cobertura de chocolate. Aqueci o chocolate em banho-maria, montei os profiteroles (que já vinham prontos) no prato e derramei o chocolate estrategicamente. Que horror… estavam espectaculares.

 

 

 

Depois fomos provar a sobremesa que eu fiz: Semi-frio de ananás. Eu bem andei à procura de morangos mas não encontrei… :/

Desenformei o semi-frio e levei para a mesa. Estava delicioso porque não estava demasiado doce  e o ananás dava-lhe um ligeiro travo ácido.

Já não aguentávamos mais tanta iguaria.

Rematámos o jantar com um café e um copinho do famoso licor de poejo. Chlep!

 

O jantar foi extremamente divertido, pusemos a conversa e a risota em dia. Mas não ficámos alcoolicamente bem-dispostos, apesar do vinho ser maravilhoso.

Ainda temos outra garrafinha de Piteira, mas desta vez tinto, já destinada para outro jantar…